Discurso do Presidente da JpD, Euclides Silva, proferido por ocasião da Abertura da IIª Universidade de Verão

Segunda, 01 de October de 2018 - 10:40
jpd

Discurso do Presidente da JpD, Euclides Silva, proferido por ocasião da Abertura da IIª Universidade de Verão, que decorreu na Cidade Velha de 25 a 27 de setembro, sob o lema "Formar para Consolidar". 

Leia na integra o discurso do presidente: 

 

Ilustres dirigentes do movimento para a democracia;

Distintos convidados de países e organizações partidárias

Amigos de Cabo Verde / parceiros de jornadas ideológicas a que se alinha a juventude do Movimento para a Democracia;

Senhoras e senhores participantes da segunda edição da universidade de verão do MpD;

Permitam-me prestar uma especial saudação a cada um, em particular.

Uma viva salvação a todos, em geral:

Os aqui presentes, os que acompanham,

Via as subsequentes difusões mediáticas pelo país e pelo mundo, do lugar simbólico das nossas ilhas (cidade velha-município da ribeira grande de santiago),

Estes relevantes dias de trabalho das ideias políticas,

bem como de exaltação de práticas condizentes com a virtude do fortalecimento da consciência cívica para servir os cidadãos reunidos na compenetrada comunidade nacional – esta, sempre zelosa dos acontecimentos para um cada vez melhor futuro.

 

Num momento histórico do nosso partido e de Cabo Verde; 

Na qualidade de representante de parte importante do MpD e do país, como presidente da juventude do Movimento para a Democracia;

Quero felicitar a escolha dos fundamentos que norteiam o sentido de rumo como os jovens caboverdianos precisam de encarar o novo amanhecer do sol do futuro:

Com esperança, determinação e dedicação aos esforços para alcançar outros horizontes de realização, pessoal e nas diversas colectividades pertencentes.

Logo, com humildade, seriedade e encorajamento: a juventude precisa dos caminhos de formar, para vencer e, depois, consolidar ganhos dos enormes desafios que Cabo Verde tem pela frente.

Para nós é um enorme prazer estar cá pelo segundo ano consecutivo a fazer a aberturo deste grande evento formativo que é a universidade de verão, a única escola de formação política do país.

A formação política, nos dia de hoje, é fundamental para preparar  os quadros do partido para a missão de servir a sua comunidade da melhor forma possível, mas também é uma forma de assegurar a renovação com qualidade dos orgãos do partido.

É com este intuito que este ano preparamos um programa inovador, com temas da atualidade e oradores de reconhecido mérito nas áreas que vão ser oradores.

Falar da formação política, é falar de um tema que só agora está a entrar no léxico político cabo-verdiano.

Desde a época colonial que os altos cargos como Governador ou presidente das Câmaras Municipais eram ocupados por altos quadros do regime, os que possuíam formação, provinham de áreas como direito, economia, ciências sociais, etc.

Nos anos 90, com a advento da democracia, e a crescente profissionalização da atividade política, onde o percurso político dos candidatos ou dos altos responsáveis políticos passou a ter um peso importante, tal como a formação académica, a componente política ficou para trás. 

Perante este cenário, a formação política sempre foi deixada para o segundo plano, e os rudimentos da política são aprendidas nas universidades ou na escola da vida. Alias, o debate político em cabo verde só é feito, de forma mais intensa, em períodos de campanha eleitoral. Passado este período muitas vezes nem se ouve a falar dos partidos.

Para por cobro a esta situação que, desde a primeira hora que assumimos a liderança da JpD, optamos por fazer uma aposta forte e consistente na formação política.  Encontramos muita abertura por parte do MpD e da sua academia que abraçou o projeto da UV, mas temos muitas outras rubricas formativas, que vão desde conversas a verdes, conferências, workshops, só para citar alguns exemplos.

Fazemos isso, sem nenhum complexo, por entender que cabe a JpD, em primeira linha, identificar, recrutar, formar e preparar os líderes do futuro.

O crescimento que temos tido, tanto em número de militantes, simpatizantes, como em número de pessoas que participam regularmente nos nossos eventos, mostra que é este o caminho a prosseguir.

Assim, em fevereiro vamos lançar a Universidade do Poder Local, com duas edições: uma em barlavento e outra em sotavento com o objectivo de formar os atuais e os futuros jovens autarcas, porque não existe lugar melhor para darmos o nosso contributo para o desenvolvimento do nosso país, que as autarquias locais, porque estamos perto das nossas raízes e das nossas gentes.

Oportunamente anunciaremos a candidatura para aquilo que vai ser mais uma grande jornada formativa. 

Caros companheiros,

A Juventude para a Democracia, elemento de estrutura do MpD, perante este alicerce da universidade de verão em decurso, não podia deixar de declara-se, com a necessária clareza, assertiva em assumir qual for o tamanho da missão e da responsabilidade para com o melhor futuro, que tem pela frente.

Aceite-se: esta postura significa que a juventude cabo-verdiana não quer estar apática e nem se mostra alienada.

Ela está, sim, com uma inabalável propensão em debater os rumos do país.

Quer isto verter-se no propulsor significado de que os jovens acreditam que é preciso participar, mas também contribuir para mudar a política, no sentido de aprofundar as mudanças que tanto as novas gerações por vezes vão sonhando, justamente, para o nosso Cabo Verde.

Com justa oportunidade, lançamos como fundo do debate, entre outros, um tema e um terreno de incontornável atualidade para o paradigma da nova cidadania, da nova coesão social e da nova orientação política a que todos os cidadãos, mais jovens e menos jovens, devem se obrigar a assumir num pacto de compromissos.

Isto é: a cultura política em Cabo Verde precisa de evoluir, para saltos de urgente qualidade institucional, partidária e pessoal.

Partindo da definição de “cultura política” como a noção que se refere ao “conjunto de atitudes, crenças e sentimentos que dêem ordem e significado a um processo político, pondo em evidência as regras e pressupostos nos quais se baseia o comportamento de seus atores” (Kuschnir, Carneiro 1999: 02);

Logo, será imprescindível estabelecer-se para se poder gerar uma escola de virtudes e excelência para que cada um possa aprender a pensar e a agir no alto das responsabilidades republicanas, servindo a qualidade da democracia, e sendo a política um elevado incentivo de servir a comunidade nacional.

Neste âmbito, quanto mais se ensinar os jovens a pensarem pela sua cabeça, sem terem de abdicar das dimensões ética e moral que enformam uma boa consciência de servidor público, melhor será o contributo que darão ao país.

Logo, é de todo aceitável os princípios inspirativos desta universidade de verão, repousados no lema formar para consolidar. A JpD, sua direção, se revêem, de todo, na louvável energia do MpD, com vista a representar uma escola de referência na formação de quadros do partido, também enquanto via no reforço da maturidade democrática em Cabo Verde – onde temos uma visão e uma abordagem de inclusão no espírito de pertença e coesão nacionais – sem excepção de nenhum cabo-verdiano, para todas as gerações vindouras.

Para isso, não olhamos como aceitável a nenhuma forma de discriminar, isolar ou silenciar destas responsabilidades de mudar a cultura política nacional, para que as coisas sejam feitas na maior harmonia, em ordem à verdade e à nobreza dos serviços que a política deve prestar à nação. 

Neste sentido, toda vez que necessário for, será de se reconhecer a utilidade e o valor do trabalho abnegado que os governantes vão fazendo, com verdade para o bem comum, para a extensão estratégica com vista o devir dum melhor país, com progresso e bem-estar. Sem demagogia, é factual constatar as positivas mudanças que Cabo Verde vai conhecendo no ciclo iniciado em 2016. Alterar o que de menos bom o país teve de permitir nos corrosivos 15 anos da outra governação, seria, e será preciso, o tempo de montagem duma nova linha de política estratégica para cabo verde. e os bons sinais se vêem:

  •   na segurança,
  •   diminuição da criminalidade e da delinquência juvenil
  • Redução do desemprego
  • Aumento de bolsas de estudos para este ano
  • apoio na resolução do problema das dívidas dos estudantes junto das universidades
  • Resolução das pendencias de várias classes profissionais. entre outros 
  •   Etc.

 

Distintos companheiros,

participantes, amigos e cidadãos

É preciso ter sempre em linha de conta que a juventude, enquanto uma fase específica da vida, é muito marcada pela passagem da condição de dependência e protecção, vivida na infância e adolescência, para uma etapa em que as pessoas processam de maneira intensa suas buscas e sua vida em sociedade.

Esta trajectória se dá num ambiente de acentuado conflito entre os anseios de autonomia pessoal e independência dos jovens, ante uma gama de desigualdades e diversidade, sejam de classe, género, etnia, orientação sexual, renda familiar, região onde mora, entre tantas outras.

É deste modo que se tem de entender o embasamento que deve sustentar o nosso trabalho político, ou seja: tartar o jovem como um agente estratégico do desenvolvimento.

Para a JpD, o discurso de jovem como agente estratégico de desenvolvimento, ao mesmo tempo, coexiste e disputa hegemonia com os discursos da juventude como problema ou fase potencialmente perigosa, e da juventude como sujeito de direitos.

Deste jeito, e diante dos diversos problemas que vão dominando a realidade da vida da camada jovem nacional, a JpD aceita e lança o ingente desafio à governação do país, no sentido de ser esta a hora certa para se desencadear uma efetiva dinâmica de desenvolvimento das competências dos jovens de Cabo Verde, aos mais diversos níveis da cadeia social nacional.

Neste contexto, o interesse e a preocupação com relação à juventude devem passar a ter como estratégias, para os tempos que se seguem, a promoção de oportunidades, o empoderamento e o aumento da participação na formulação de políticas eficazes.

O que significa destacar, na perspectiva ainda mais abrangente, que a responsabilidade se direciona para a promoção de capital humano e social, sendo exigido do estado a complementação com o mercado considerado o motor do desenvolvimento económico. O que deve contribuir para evitar, de si, o desperdício de recursos e a geração de conflitos sociais.

Pois, o MpD não pode perder a oportunidade de se diferenciar por postura, sabedoria, propostas e coerência, face à oposição que nada melhor consegue nem apresentar, nem fazer.

É importante lembrarmos que o MpD é construído, na sua génese, a partir da profunda compreensão da realidade e do senso de responsabilidade pública, aliados a uma capacidade invulgar de gestão e de coragem para tomar medidas que permitam modificar a realidade desigual, que sempre o PAICV deixou.

Considerando os anseios e as aspirações da juventude cabo-verdiana, esta é a nossa obrigação no sentido de propagar nosso ideal de uma sociedade solidária, com a diminuição das distâncias sociais, tornando objectivo de acção política concreta os anseios de oportunidade para uma vida de conquistas e mais bem-estar, combatendo, entretanto, o discurso populista das soluções inexistentes do PAICV com novas realizações produtivas e concretas.

Pois, acreditamos plenamente no governo face àquilo que Cabo Verde tem de grande promissão perante o seu futuro: a força da juventude para aprender, a criar e a empreender com vista a realizar iniciativas de crescimento económico e desafios de desenvolvimento mais geral, com a garantia da sustentabilidade.  

Assim, os merecidos elogios a todos quantos presentes / e ligados a esta segunda realização da mobilizadora universidade de verão do Movimento para a Democracia. Esta é uma importante âncora estratégica para que a juventude cabo-verdiana ambicione alcançar os horizontes de futuro, que se mostram cada vez mais próximos.

Pelo trabalho político que queremos inspirar e fazer, a juventude nunca poderá ser vista como uma falta de validade ou de capacidade.

Para tanto, temos que nos congratular com os dias de reflexão e debate, também de formação, convívio e consolidação dum forte espírito de trabalho em equipa, para vencermos, todos, os desafios colocados ao partido, e ao país.

Muito obrigado.